
“Uma vez que Ele fez todas as coisas, fez também o sábado.
Este foi por Ele posto à parte como lembrança da criação.
Mostra-O como Criador tanto como Santificador. O sábado é
um sinal do poder de Cristo para nos fazer santos.” –
O Desejado de Todas as Nações, pág. 288. |
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Da tristeza para a felicidade
“Vinde a Mim, todos os que estais cansados
e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei” (Mateus 11:28).
Ao se apartarem os judeus do Senhor, e deixarem de
tornar a justiça de Cristo sua pela fé, o sábado
perdeu para eles sua significação. Nos dias de Cristo, tão
pervertido se tornara o sábado, que sua observância refletia
o caráter de homens egoístas e arbitrários, em lugar
de o fazer ao caráter do amorável Pai celeste. Virtualmente
os rabis representavam a Deus como dando leis que os homens não
podiam obedecer. Levavam o povo a olhar a Deus como tirano, e a pensar
que a observância do sábado, segundo Ele a exigia, tornava
os homens duros de coração e cruéis. Competia a Cristo
a obra de esclarecer essas mal-entendidas concepções. Embora
os rabis O seguissem com impiedosa hostilidade, Ele nem sequer parecia
concordar com o que requeriam, mas ia avante, guardando o sábado
segundo a lei divina.
Certo sábado, ao voltarem Jesus e os discípulos do local
do culto, passaram por uma seara madura. Jesus continuara Seu trabalho
até tarde e, ao passarem pelos campos, os discípulos começaram
a apanhar espigas e a comer os grãos depois de esfregá-los
nas mãos. Em qualquer outro dia, esse ato não teria despertado
nenhum comentário, pois uma pessoa que passasse por uma seara,
ou pomar, ou vinha, tinha liberdade de colher o que lhe apetecesse comer.
Deuteronômio 23:24 e 25. Mas, fazer isso no sábado, era considerado
um ato de profanação. Não somente era o apanhar a
espiga uma espécie de ceifa, como o esfregá-la nas mãos
uma espécie de debulha. Assim, na opinião dos rabis, havia
dupla ofensa.
Por causa do homem – Quando acusado de transgredir
o sábado, em Betesda, Jesus Se defendeu, afirmando Sua filiação
de Deus e declarando que trabalhava em harmonia com o Pai. Agora, que
eram acusados Seus discípulos, cita aos acusadores exemplos do
Antigo Testamento, atos praticados no sábado pelos que estavam
ao serviço de Deus.
“Nunca lestes”, disse Ele, “o que fez Davi quando teve
fome, ele e os que com ele estavam? Como entrou na casa de Deus, e tomou
os pães da proposição, ... os quais não é
lícito comer senão só aos sacerdotes?” (Lucas
6:3 e 4). “E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do
homem, e não o homem por causa do sábado” (Marcos
2:27 e 28). “Não tendes lido na lei que, aos sábados,
os sacerdotes no templo violam o sábado, e ficam sem culpa? Pois
eu vos digo que está aqui quem é maior do que o templo.
O Filho do homem até do sábado é Senhor” (Mateus
12:5 e 6).
Os discípulos, fazendo a obra de Cristo, estavam empenhados no
serviço de Deus, e o que era necessário à realização
dessa obra, era direito fazer no dia de sábado.
Cristo queria ensinar, aos discípulos e aos inimigos, que o serviço
de Deus está acima de tudo. O objetivo da obra de Deus, neste mundo,
é a redenção do homem; portanto, tudo quanto é
necessário que se faça no sábado no cumprimento dessa
obra, está em harmonia com a lei do sábado. Jesus coroou
então Seu argumento, declarando-Se “Senhor do sábado”
– Alguém que estava acima de qualquer dúvida, acima
de toda lei. Esse eterno Juiz absolve de culpa os discípulos, apelando
para os próprios estatutos de cuja violação são
acusados.
Jesus não deixou passar a questão com uma simples repreensão
aos inimigos. Declarou que, em sua cegueira, eles se haviam enganado quanto
ao propósito do sábado. Disse: “Se vós soubésseis
o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício,
não condenaríeis os inocentes” (Mateus 12:7).
Misericórdia – Em outro sábado,
ao entrar Jesus na sinagoga, viu aí um homem cuja mão era
mirrada. Os fariseus O observavam, ansiosos de ver o que faria. Bem sabia
o Salvador que, curando no sábado, seria considerado transgressor,
mas não hesitou em derribar o muro das exigências tradicionais
que atravancavam o sábado. Jesus pediu ao enfermo que se adiantasse,
perguntando então: “É lícito no sábado
fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar?” Era uma regra
entre os judeus que deixar de fazer o bem, havendo oportunidade para isso,
era fazer mal; negligenciar salvar a vida, era matar. Assim Jesus os atacou
com suas próprias armas. E eles se calaram. “E, olhando para
eles em redor com indignação, e triste por causa da dureza
de seu coração, disse ao homem: Estende a tua mão.
E ele a estendeu, e foi-lhe restituída a sua mão, sã
como a outra” (Marcos 3:4 e 5).
Na cura da mão ressequida, Jesus condenou o costume dos judeus,
e colocou o quarto mandamento no lugar que Deus lhe destinara. “É...
lícito fazer bem nos sábados”, declarou Ele. Pondo
à margem as absurdas restrições dos judeus, Cristo
honrou o sábado, ao passo que os que dEle se queixavam estavam
desonrando o santo dia de Deus.
Os que afirmam que Cristo aboliu a lei, ensinam que Ele violou o sábado
e justificou os discípulos em assim fazer. Colocam-se assim na
mesma atitude que tomaram os astutos judeus. Contradizem dessa maneira
o testemunho do próprio Cristo, que declarou: “Tenho guardado
os mandamentos de Meu Pai, e permaneço no Seu amor” (João
15:10). Nem o Salvador nem Seus seguidores violaram a lei do sábado.
Cristo era um vivo representante da lei. Nenhuma transgressão de
seus santos preceitos foi encontrada em Sua vida.
“Assim o Filho do homem até do sábado é Senhor.”
Estas palavras estão repletas de instrução e conforto.
Por haver o sábado sido feito para o homem, é o dia do Senhor.
Pertence a Cristo. Pois “todas as coisas foram feitas por Ele, e
sem Ele nada do que foi feito se fez” (João 1:3). Uma vez
que Ele fez todas as coisas, fez também o sábado. Este foi
por Ele posto à parte como lembrança da criação.
Mostra-O como Criador tanto como Santificador. ... Portanto, o sábado
é um sinal do poder de Cristo para nos fazer santos. E é
dado a todos quantos Cristo santifica. Como sinal de Seu poder santificador,
o sábado é dado a todos quantos, por meio de Cristo, se
tornam parte do Israel de Deus.
Deleite – A todos quantos recebem o sábado
como sinal do poder criador e redentor de Cristo, ele será um deleite.
Vendo nele Cristo, nEle se deleitam. O sábado lhes aponta as obras
da criação, como testemunho de Seu grande poder em redimir.
Ao passo que evoca a perdida paz edênica, fala da paz restaurada
por meio do Salvador. E tudo na natureza repete Seu convite: “Vinde
a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei”
(Mat. 11:28).1
Cristo concluiu a obra que Lhe foi confiada. Glorificou a Deus na Terra.
Manifestou o nome do Pai. Reuniu os que haviam de continuar Sua obra entre
os homens. 2
O imaculado Filho de Deus pendia da cruz, a carne lacerada pelos açoites;
aquelas mãos tantas vezes estendidas para abençoar, pregadas
ao lenho; aqueles pés tão incansáveis em serviço
de amor, cravados no madeiro; a régia cabeça ferida pela
coroa de espinhos; aqueles trêmulos lábios entreabertos para
deixar escapar um grito de dor. E tudo quanto sofreu – as gotas
de sangue a Lhe correr da fronte, das mãos e dos pés, a
agonia que Lhe atormentou o corpo, e a indizível angústia
que Lhe encheu a alma ao ocultar-se dEle a face do Pai – tudo fala
a cada filho da família humana, declarando: É por ti que
o Filho de Deus consente em carregar esse fardo de culpa; por ti Ele destrói
o domínio da morte, e abre as portas do Paraíso. Aquele
que impôs calma às ondas revoltas, e caminhou por sobre as
espumejantes vagas, que fez tremerem os demônios e fugir a doença,
que abriu os olhos cegos e chamou os mortos à vida – ofereceu-Se
a Si mesmo na cruz em sacrifício, e tudo isso por amor de ti. Ele,
o que leva sobre Si os pecados, sofre a ira da justiça divina,
e torna-Se mesmo pecado por amor de ti. 3
Cristo não entregou Sua vida antes que realizasse a obra que viera
fazer, e ao exalar o espírito, exclamou: “Está consumado”
(João 19:30). Ganhou a batalha. 4
Delicada e reverentemente, removeram eles do madeiro, com as próprias
mãos, o corpo de Jesus. Corriam-lhes lágrimas de compaixão,
ao contemplarem Seu corpo lacerado.
José possuía um sepulcro novo, talhado numa rocha. Aí,
os três discípulos [Pedro, Tiago e João] compuseram-Lhe
os mutilados membros, e cruzaram-Lhe as mãos feridas sobre o inanimado
peito. As mulheres galiléias foram ver se tudo quanto se podia
fazer havia sido feito pelo corpo sem vida do amado Mestre. Viram então
que fora rolada a pesada pedra para a entrada do sepulcro, e o Salvador
deixado a repousar. As mulheres foram as últimas ao pé da
cruz, e as últimas também a deixar o sepulcro. Enquanto
baixavam as sombras da noite, Maria Madalena e as outras Marias demoravam-se
ainda em torno do lugar em que descansava o Senhor, derramando lágrimas
de dor pela sorte dAquele a quem amavam. “E, voltando elas,... no
sábado repousaram, conforme o mandamento” (Lucas 23:56).5
Jesus descansou, afinal. Findara o longo dia de vergonha e tortura. Ao
introduzirem os derradeiros raios do sol poente o dia do sábado,
o Filho de Deus estava em repouso, no sepulcro de José. Concluída
Sua obra, as mãos cruzadas em paz, descansava durante as sagradas
horas do sábado.
No princípio, o Pai e o Filho repousaram no sábado após
Sua obra de criação. Agora Jesus descansava da obra de redenção;
e se bem que houvesse dor entre os que O amavam na Terra, reinou contudo
alegria no Céu. Gloriosa era aos olhos dos seres celestiais a perspectiva
do futuro. Uma criação restaurada, a raça redimida
que, havendo vencido o pecado, nunca mais poderia cair – eis o resultado
visto por Deus e os anjos, da obra consumada por Cristo.
Para sempre – Com esta cena se acha para sempre
ligado o dia em que Jesus descansou. Pois Sua “obra é perfeita”
(Deuteronômio 32:4); e “tudo quanto Deus faz durará
eternamente” (Eclesiastes 3:14). Quando se der a “restauração
de todas as coisas, as quais Deus falou por boca dos Seus santos profetas,
desde o princípio do mundo” (Atos 3:21), o sábado
da criação, o dia em que Jesus esteve em repouso no sepulcro
de José, será ainda um dia de descanso e regozijo. O Céu
e a Terra se unirão em louvor, quando, “desde um sábado
até ao outro” (Isaías 66:23), as nações
dos salvos se inclinarem em jubiloso culto a Deus e o Cordeiro. 6
Lentamente passara a noite do primeiro dia da semana. Havia soado a hora
mais escura, exatamente antes do raiar da aurora. Cristo continuava prisioneiro
em Seu estreito sepulcro. A grande pedra estava em seu lugar; intato,
o selo romano; a guarda, de sentinela.
“E eis que houvera um grande terremoto, porque um anjo do Senhor,
descendo do Céu, chegou” (Mateus 28:2).
A terra treme à sua aproximação, fogem as hostes
das trevas, e enquanto ele rola a pedra, dir-se-ia que o Céu baixara
à Terra. Os soldados o vêem removendo a pedra como se fora
um seixo, e ouvem-no exclamar: Filho de Deus, ressurge! Teu Pai Te chama.
Vêem Jesus sair do sepulcro, e ouvem-nO proclamar sobre o túmulo
aberto: “Eu sou a ressurreição e a vida.” 7
As mulheres que estiveram ao pé da cruz de Cristo esperaram, atentas,
que passassem as horas do sábado. No primeiro dia da semana, muito
cedo, fizeram o caminho para o sepulcro, levando consigo preciosas especiarias
para ungirem o corpo do Salvador.
Ignorantes do que se passava mesmo então, aproximaram-se do horto,
dizendo: “Quem nos revolverá a pedra da porta do sepulcro?”
(Mateus 16:3). Sabiam não lhes ser possível afastá-la,
todavia continuaram para diante. E eis que os céus se iluminaram
de repente com uma glória que não provinha do sol nascente.
A terra tremeu. Elas viram que a pedra fora removida. O sepulcro estava
vazio.
Havia uma luz em volta do sepulcro, mas o corpo de Jesus não se
achava ali. Enquanto andavam em torno, viram de repente que não
se achavam sós. Um jovem de vestes brilhantes estava sentado junto
ao túmulo. Era o anjo que rolara a pedra.
Voltaram-se para fugir, mas as palavras do anjo lhes detiveram os passos.
“Não tenhais medo”, disse ele; “pois eu sei que
buscais a Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui,
porque já ressuscitou, como havia dito. Vinde, vede o lugar em
que o Senhor jazia. Ide pois, imediatamente, e dizei aos Seus discípulos
que já ressuscitou dos mortos” (Mateus 28:5-7).8
Não olhemos para o sepulcro vazio. Não lamentemos como os
que se acham sem esperança e desamparados. Jesus vive, e porque
Ele vive, nós também viveremos. [Mat. 28, Mar. 16, Luc.
24, João 20.] 9
Referências:
1. O Desejado de Todas as Nações, págs. 283-289.
2. Ibidem, pág. 680.
3. Ibidem, págs. 755 e 756.
4. Ibidem, pág. 758.
5. Ibidem, pág. 774.
6. Ibidem, págs. 769 e 770.
7. Ibidem, págs. 779 e 780.
8. Ibidem, págs. 788 e 789.
9. Ibidem, pág. 794.
O
estresse e o descanso semanal
O princípio da felicidade
O ciclo semanal
Desde o princípio dos tempos
Um dia para recordar
Um santuário no tempo
Da alegria para a felicidade
Alegria eterna |
Um dia feliz
Tempo de curar
Tira-dúvidas
O sábado através dos séculos
A Bíblia ensina
Ele foi a Nazaré
A Lei de Deus
Sinal do poder criador |
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